PR reconhece vítimas de 27 de Maio e entrega certidões de óbito ás famílias

João Lourenço
João Lourenço

O Presidente da República João Lourenço discursou na tarde desta quarta-feira (26) de Maio, no Palácio Presidencial, e aproveitou a ocasião para falar do reconhecimento às vítimas do 27 de Maio, consequentemente pedir desculpas aos familiares das mesmas ocorridas na manifestação de 1977 em Luanda a favor de Nito Alves.

Diante do presidente da Assembleia Nacional, líderes espirituais do país e vários membros do executivo, João Lourenço falou em directo para as cadeias televisivas nacionais sobre o passo que pretende dar quanto às vítimas do 27 de Maio:

“Caros compatriotas amanhã daremos início a entrega de certidões de óbitos das vítimas do 27 de Maio, nos próximos dias dias daremos início ao processo de localização dos restos mortais, ossadas de Alves Bernardo Baptista (Nito Alves), Jacob João Caetano (Monstro Imortal), Hernandes Gomes da Silva (Bakalo), Sita Mária Dias (Sita Valles), José Jacinto (Zé Van-dunem), António Orlando de Castro (Orlando de Castro), David Gabriel de José Viera (David Viera), Arthur de Jesus Nunes (Arthur Nunes), Pedro Fortunato, Arsénio José Lourenço, António Lourenço Galeano da Silva…”, disse João Lourenço.

O PR acrescentou dizendo que no dia de amanhã (27 de Maio), será entregue os restos mortais de Jeremias Kalandula Chitunda (vice-presidente da UNITA na época), Elias Kaluteto Pena, Adolosi Paulo Mango Alicerces, tombados em combates dos conflitos pós eleitoral de 1992 em Luanda, aos seus respectivos familiares.

História:

No mês de maio de 1977, houve manifestações em Luanda a favor de Nito Alves, então ministro da Administração Interna e membro do Comité Central do MPLA, Movimento Popular de Libertação de Angola, o partido no poder. As manifestações foram reprimidas por militares angolanos e cubanos.

A seguir, Nito Alves e os seus apoiantes foram perseguidos. Agostinho Neto, o primeiro presidente de Angola – também do MPLA –, classificou o grupo como “fracionistas” e as manifestações como uma tentativa de golpe de Estado. Dezenas de milhares de angolanos foram torturados pela polícia política angolana. Não se sabe, quantos foram assassinados sem julgamento. Hoje, os angolanos ainda não conhecem tudo sobre o que se passou a seguir ao 27 de maio de 1977. Alguns familiares das vítimas refugiaram-se no silêncio, na esperança de um dia fazerem o luto dos seus entes queridos.