Falta de ventiladores no banco de urgência provoca a morte de 19 crianças no Hospital Pediátrico David Bernardino

A falta de aparelho de ventilação mecânica ou simplesmente ventilador, provocou a morte de 19 crianças em dois dias com síndrome febril ictérico e hemorrágico, no banco de urgências do Hospital Pediátrico David Bernardino, com a extrema necessidade de usarem ventilador para respirarem mas que no momento não estavam disponíveis.

Adriano Manuel presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA), denunciou o ocorrido porque segundo ele, a atenção do Ministério da Saúde está apenas virada à prevenção e combate à Covid-19, deixando sem solução tantas outras patologias que enchem os hospitais e resultam em um número avultado de mortes. Em 48 horas não foi possível socorrer as crianças porque os ventiladores estavam nos cuidados intensivos. O facto criou um desconforto grande sendo que o país recebeu vários ventiladores e encontram-se no centro de tratamento da Covid-19 e que segundo a Ministra da Saúde Sílvia Lutucuta e o secretário do estado para a saúde pública Franco Mufinda, todos os pacientes encontram-se estáveis. As várias criança morreram com síndrome febril ictérico e hemorrágico, mas não se sabe realmente a causa das mortes: “Se é dengue, se é febre-amarela, malária complicada ou leptospirose, até agora não conseguimos descobrir”, disse.

Ultimamente tem chegado ao banco de urgência pacientes muito graves, com dificuldades respiratórias, problemas cardíacos e se não forem colocadas no ventilador, acabam por perder a vida: “O ventilador ajuda a melhorar a respiração do paciente, até que o seu pulmão consiga trabalhar sem esforço algum. Todos os doentes graves, a maior parte deles, com dificuldades de respiração, precisam do ventilador para sobreviver”, exclareceu o presidente do SINMEA com um grande descontentamento e lembrou queé importante investir para a pandemia da Covid-19 mas que não se deve desleixar de outras doenças de tem dizimado vidas no país principalmente na área da pediatria. “Nesta altura, temos 4 mortes por Covid-19, no igual período, morreram mais de duas mil pessoas por malária. Da mesma forma que investem nestes novos hospitais, devem investir com meios e recursos humanos nas periferias”, referiu Adriano Manuel.

Adriano apela que se invista nos hospitais estatais, pois a população vive um nível precário de saúde, e a descentralização deveria ser feita se hospitais como: Hospital Geral de Luanda, no Maria Pia ou nos hospitais municipais tivessem o memso investimento que as clínicas Multiperfil ou Girassol, por exemplo, que foram construídas com o dinheiro do Estado, para se tratarem, enquanto o cidadão tem um sistema primário de saúde precário. Acrescentando nos problemas, neste momento, o Hospital Pediátrico é a única unidade pública que faz TAC, sendo que as demais têm as máquinas avariadas. Nenhum hospital público está a fazer ressonância magnética e estes doentes estão a ser encaminhados para as clínicas, que são pagas: “Este hospital de campanha que foi criado agora, se tivesse lá pediatras, nós devíamos transferir estes doentes que precisam de ventiladores. Neste hospital tem gasómetro, estão parados, não estão a ser usados, enquanto os hospitais públicos que precisam deste importante aparelho não o têm”, inconformado falou Adriano Manuel.